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riscos_e_rabiscos

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Relógio Biológico

Durante esta semana a minha priminha B. ficou comigo. Havia uma virose a percorrer as barrigas dos mais incautos. Como a minha Bzinha é uma “esponja”, ficou em casa antes piorasse e tivesse que ser internada no hospital. É uma “florzinha de estufa” de 3 aninhos.

Fomos nós que a criámos prai desde os 4 meses de idade. Teve de ir às pressas para o infantário porque o meu pai teve uma paragem cardíaca. Não havia ninguém que pudesse ficar a tomar conta dela: a minha mãe não estava em condições psicológicas e a minha prima não podia faltar ao trabalho durante muito tempo nessa altura.

Foi duro para ela pois não é muito sociável e é muito ciosa de si e das suas coisas.

Teve dificuldade em começar a falar mas com a ajuda da terapia da fala lé começou com a sua “espanholada”.

Agora fala, reclama e zanga-se connosco. E é de morrer a rir. Ontem foi a vez do sr. V. do café levar uma descasca dela pois foi-lhe fazer cócegas. Ela não gostou de ter sido apanhada desprevenida e desatou a dizer-lhe “pára! Pára com isso! Vai-te embora!” E como ele lhe achou imensa piada aos gestos dela, voltou para se meter novamente. E ela disse que ele era teimoso.

A B. agora aprendeu uma nova: chama à minha mãe “mãe-tia”. Eu explico porquê… é que ela às vezes chama a minha mãe que não a ouve, então a B. pensa que se chamar mãe, a minha mãe a ouve melhor. Além disso, é isso que eu e meu irmão chamamos à nossa mãe certo? É o tal processo de imitação através do qual o ser humano aprende - a mimética.

Hoje fartei-me de rir com ela que queria falar ao telemóvel mas não queria que eu ouvisse, então mandou-me vir para o computador “falar com a mãe”. Então ela começou a estabelecer diálogos com os amigos imaginários. Eu estava cheia de dores de barriga porque estava morta de riso mas não me podia rir pois ia ferir as suas susceptibilidades.

O meu irmão provoca-a a cantar “come a papa B., come a papa” e ela manda-o calar, diz que ele não sabe cantar pois só a mãe dela é que sabe.

Está a ficar cada vez mais gira e espevitada. Só não lhe mostrem o Bóbi pois ela tem medo dele. Antes dizia que o Bóbi era mau porque ele tem uma adoração por ela – e por todas as crianças – e que se pudesse a deitava ao chão para a lamber da cabeça aos pés.

Eu ensinei-lhe que o Bóbi era amigo dela e que se alguém lhe fizesse mal o Bóbi dava-lhe uma palmada com o “rabo comprido”, como ela diz.

As crianças dão muito trabalho mas são maravilhosas e deixam muitas saudades. Fico com muita pena dela não estar sempre comigo pois ela é como se fosse a filha que eu não tenho, embora eu ache que o N. não compreende isso.

Gostava e que ria muito, muito, muito ter uma criança mas as minhas condições de vida cada vez se tornam mais instáveis. Além disso, não quero ser “mão solteira com pai à distância”. O pior é que o meu relógio biológico bate a alta velocidade e um dia destes ( ou até agora) pode ser tarde demais… e isto põe-me realmente triste!!!

O melhor do mundo são as crianças!!!